ADEUS,  MEU   AMIGO  TOSCANO.

O Rei Roberto Carlos diz em uma de suas canções: “ Esses seus cabelos brancos bonitos, esse olhar cansado profundo, me dizendo coisas num grito me ensinando tanto do mundo…”. Pois é, eu que pensava que já sabia tudo sobre ser alecrinense, o saudoso amigo, Toscano, me ensinou que o verdadeiro alecrinense era ele que aos 83 anos de idade com o corpo debilitado por problemas de saúde, comparecia a todos os jogos do Verdão Maravilha tanto em Natal como em outras cidades.

Conheci o amigo Toscano na década de 80, portanto há mais de 30 anos.  Chegava apressado no portão 9 do saudoso e maravilhoso Estádio Castelão onde eu e Chico colocávamos a urna para comprar bandeiras, faixas, fogos, charanga e ele depositava sua contribuição e dizia eufórico:” Eu vim de Tabatinga pra perder? Nós vamos é ganhar!

No campeonato brasileiro da série D em 2009 ele foi o único torcedor do Alecrim que foi ao jogo contra o Flamengo do Piauí na cidade de Teresina. Depois ao saber que eu colecionava ingressos de jogos me presenteou com o mesmo.

Quando eu colocava ônibus para as viagens para o interior, a presença mais certa era a sua e a turma vibrava dizendo na parada do Cidade Satélite, tem o Toscano. Das 995 viagens que fizemos ele participou de mais de 500.

Domingo quando cheguei em casa, minha mulher falou: “O senhor Toscano faleceu”. Fiquei paralisado e um filme passou em minha memória: os jogos, as viagens, as vitórias, as derrotas, as brincadeiras, as reuniões, as passeatas, as festas no Alecrim FC. Sempre sentado ao lado dos seus amigos, Carlinhos e Valtencir, sua revolta com a demissão de nossa amiga Daniele Souto, a Daninha, pela desastrada administração passada quando me disse: “Normando, cometeram uma injustiça com essa menina. O que mais relembro, aconteceu nos estádios Nazarenão e o Ninho do Periquito: eu tocando tarol na charanga e olhava para o lado esquerdo e ele vinha com passos lentos e sua camisa verde, subia os degraus e dizia no meu ouvido com sua voz rouca: “Hoje vamos ganhar.”

Toscano, você foi um guerreiro, um herói, um símbolo da resistência, luta e sobretudo, amor. Você pode dizer como o apóstolo Paulo: “Combati o bom combate”. Seu exemplo nos lembra a música de Raul Seixas: Tente, não pense que a batalha está perdida, tenha fé em Deus, tenha fé na vida, tente outra vez…”

Nas reuniões do conselho, sentava sempre ao meu lado. Na última vez que nos vimos, apertou minha mão, seus olhos me olharam como numa premunição. E lembrei da música do Rei Roberto Carlos: “Já está chegando a hora de ir, vim aqui me despedir e dizer, em qualquer lugar por onde eu andar, vou lembrar de você, só me restar agora dizer adeus e depois o meu caminho seguir, o meu coração aqui vou deixar não ligue se acaso eu chorar, mas agora, adeus…”

                                                                       José Normando Bezerra.

Conselheiro do Alecrim Futebol Clube

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